PARIS - A segunda-feira é de festa na França pela vitória de "O artista" no Oscar: na noite passada, o longa faturou cinco estatuetas, entre elas a de melhor ator, para Jean Dujardin, e melhor filme. O sucesso da campanha do filme - a primeira vez em que um ator e um filme francês ganharam os prêmios principais da Academia - desencadeou uma onda de orgulho nacional.
As redes de televisão não se cansam de reprisar o discurso de agradecimento de Jean Dujardin e a primeira página do "Le Monde", principal jornal do país, estampou a manchete "triunfo francês em Hollywood" sobre uma foto do astro erguendo seu troféu. Até os políticos em campanha trataram de capitalizar o entusiasmo. O presidente Nicolas Sarkozy emitiu comunicado em que qualifica a atuação de Dujardin como "deslumbrante", enquanto seu rival na disputa pela presidência, François Hollande, disse que os cinco Oscars ganhos por "O artista" transformaram o filme em uma "lenda do cinema francês".
"O artista", uma homenagem francesa ao cinema mudo de Hollywood, venceu nas categorias melhor filme, melhor diretor para Michael Hazanavicius, melhor ator com Dujardin, além de trilha sonora e figurino. "Tenho a sensação de estar em uma banheira de água quente e não tenho a menor vontade de sair", disse Dujardin em entrevista a uma emissora local. "A pressão está diminuindo e a sensação é muito, muito agradável", completou.
Antes do Oscar, o programa satírico "Le petit journal" apresentou vídeos de um embate entre Dujardin e George Clooney, parodiando as apresentações de lutas de boxe, em que a imagem dos rivais aparecia em meio a música dramática e efeitos especiais. A revista "Paris Match" dedicou várias páginas à mulher de Dujardin, Alexandra Lamy, que estará em três filmes de lançamento futuro. Segundo Alexandra, o comportamento dos franceses mudou desde que seu marido foi indicado ao Oscar. "Eles encorajam Jean, querem que ganhe por eles, para a França. Parecia que estávamos de volta a 1998, durante a Copa do Mundo (em que a França se sagrou campeã), disse.
Na esteira do sucesso, "O artista" foi relançado na França no início desse mês, para atrair uma segunda leva de espectadores encantados por Dujardin, um ator amado, com mais de uma década de carreira em seu país natal. Em "O artista", Dujardin interpreta o ícone do cinema mudo George Valentin, um ator estilo Clark Gable que se recusa a aceitar a morte do cinema mudo. A coprotagonista Berenice Bejo também foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, enquanto o cão Uggie, um expressivo Jack Russell Terrier, também rouba a cena durante o filme.
"Talvez por uma obra para fazer as pessoas se sentirem bem, talvez por ser uma história de amor, talvez por ser uma história simples ou talvez por causa do cão", disse Dujardin à Reuters, tentando justificar o sucesso do filme. Com sua vitória na noite de domingo, o ator se tornou o primeiro francês a ganhar um prêmio destes na Academia. Antes dele, apenas duas atrizes francesas levaram para casa o oscar de melhor atriz: Simone Signoret, em 1959, e Marion Cotillard, em 2007. Claudette Colbert, que deixou a França quando tinha três anos, ganhou em 1935.
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